O meu filho além de cego, é autista nível 3 de suporte (severo) e tem epilepsia. Ele não fala e é totalmente dependente, mas antes de tudo é um jovem de 23 anos, tem um lindo sorriso, é carinhoso, gosta de música, ama tomar banho de mar e de piscina. Quando encontrar uma pessoa com deficiência, convido você a procurar ver o ser humano que existe ali.
O autismo não é doença, não é contagioso, não é falta de educação. Caso você se depare com alguma mãe cujo filho esteja desregulado, ofereça ajuda, não julgue. Pode ser um autista, pode não ser birra.
Nós, mães atípicas, passamos a pesquisar, estudar e entender de assuntos inimagináveis. Mas precisamos de solidariedade, de atenção e da compreensão dos colegas e das chefias no ambiente de trabalho.
Nós precisamos ver nossos filhos sendo abraçados, tendo amigos, sendo chamados para aniversários, sendo aceitos nas escolas que escolhermos. Parece tão simples, não é? Mas não acontece naturalmente.
E eles crescem, sabia? Precisam de políticas públicas que os apoiem durante a vida. Meu maior medo é quando eu não estiver mais aqui, porque o natural é que isso ocorra. Eles têm capacidade de aprender, não os queremos segregados ou internados. Precisamos de políticas públicas que realmente contemplem nossos filhos, de tratamentos humanizados e acessíveis, de professores comprometidos e especializados e de uma rede de apoio e suporte psicológico porque, muitas vezes, não podemos sequer tomar um banho mais demorado.
A maioria dos tratamentos existem apenas até a adolescência, quando muito. Nós precisamos de centros de referência multidisciplinar ao longo de suas vidas em um único lugar.
Meu filho me trouxe mudanças, desafios, mas me fez quem sou hoje.
Valéria Menezes, mãe do Marcel
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