Pular para o conteúdo principal

A Luta Contra a Meningite



Minha filha, uma menina antes cheia de energia e alegria, começou a sentir dores de cabeça constantes. Preocupada, levei-a ao hospital, onde foi diagnosticada com meningite. A gravidade da situação a levou a ser internada na UTI por 17 dias, um período de grande angústia e incerteza para todos nós.

Desde então, nossa vida mudou completamente. Após o diagnóstico e o período crítico no hospital, ela teve que reaprender a fazer tudo. Coisas simples como andar, comer e brincar tornaram-se desafios diários. No início, nossa rotina era focada em cuidados intensivos: papinhas, medicamentos, fisioterapia e acompanhamento constante. A adaptação foi difícil, mas com muita fé em Deus e determinação, seguimos em frente.

Decidi deixar minha profissão para dedicar-me integralmente aos cuidados dela. Era essencial que ela começasse a fisioterapia o mais rápido possível para evitar a atrofia muscular. Não podia esperar pelas filas do SUS, então organizei rifas e arrecadei fundos para pagar o tratamento particular. A comunidade, composta por familiares, amigos e vizinhos, mostrou um apoio inestimável durante esse período. Todos ficaram chocados, pois conheciam bem a vivacidade da minha filha.

Hoje, nossa rotina é completamente diferente. Embora as papinhas tenham ficado no passado e ela já possa comer de tudo, ainda há uma série de cuidados diários necessários. Eu mesma dou o banho, acompanho na escola e nas sessões de fisioterapia. Cada pequena conquista dela é celebrada com muita alegria e esperança.

Meu maior sonho é vê-la andar, correr e dançar novamente, atividades que ela adorava antes da doença. Quero que a sociedade seja mais empática e acolhedora com crianças especiais, reconhecendo seus direitos e necessidades. Desejo que ela possa frequentar a escola e ser tratada como qualquer outra criança.

A jornada tem sido difícil, mas a fé e a perseverança me sustentam. Meu conselho para outras mães que enfrentam desafios semelhantes é não desanimar. Vale a pena parar tudo para cuidar dos nossos filhos. Aprendi a estar mais presente, a dar mais atenção e a perceber o quanto os amamos, muitas vezes mais do que a nós mesmos. A experiência, embora dolorosa, reforçou o laço de amor e cuidado entre mim e minha filha.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Ana Liz: Um Sonho de Deus

 Eu já era mãe duas vezes, mas quando Ana Liz nasceu, trouxe uma alegria que não cabia em palavras. Desde o primeiro olhar, sabíamos que ela era especial, um presente de Deus. No entanto, aos cinco meses, comecei a notar que algo não estava certo. Ana Liz ainda era molinha e não conseguia sentar. A preocupação tomou conta de mim, e conversei com a pediatra. Ela sugeriu que procurássemos uma neuropediatra.  Após vários exames e consultas com a neuro e a geneticista, recebemos o diagnóstico: Trissomia do cromossomo 18 P. No início, a notícia nos abalou, trazendo medo e incertezas. Mas também trouxe uma nova compreensão do amor e da força que havia em nós. Passamos a enfrentar os desafios com determinação e esperança. Cada pequena conquista de Ana Liz se transformava em uma vitória imensa. Vê-la sorrir, tentar e conseguir, pouco a pouco, era como presenciar pequenos milagres diários. Hoje, Ana Liz está cada dia melhor, se desenvolvendo e nos surpreendendo a cada momento. Ela nos ...

O silêncio

 Minha jornada em busca do diagnóstico de Apraxia de Fala na Infância (AFI) começou no dia em que li uma matéria na Folha de SP em 2017. Durante um ano, as intervenções para o Mateus foram baseadas na hipótese de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ele evoluía em vários aspectos, exceto na fala. A partir da leitura dessa matéria, mergulhei em pesquisas sobre o assunto. Eu e a fonoaudióloga do Mateus fizemos o treinamento da ABRAPRAXIA e começamos, por conta própria, a terapia fonoaudiológica com base no que aprendemos no curso. De repente, meu filho começou a pronunciar as vogais das palavras, parecia mágica. Em 2018, finalmente conseguimos o diagnóstico de Apraxia de Fala na Infância. Desde então, com o tratamento adequado, temos visto muita evolução. Minha rede de apoio está se construindo aos poucos. Tenho o suporte das mães que conheci na LUMEN.  Ainda há muito a ser feito, já que a Apraxia é um distúrbio pouco conhecido. Sinto que estamos desbravando novos caminhos. Tud...

Meu Filho, Meu Herói: Navegando a Vida com Autismo, Cegueira e Epilepsia

  O meu filho além de cego, é autista nível 3 de suporte (severo) e tem epilepsia. Ele não fala e é totalmente dependente, mas antes de tudo é um jovem de 23 anos, tem um lindo sorriso, é carinhoso, gosta de música, ama tomar banho de mar e de piscina. Quando encontrar uma pessoa com deficiência, convido você a procurar  ver o ser humano que existe ali. O   autismo não é doença , não é contagioso, não é falta de educação. Caso você se depare com alguma mãe cujo filho esteja desregulado, ofereça ajuda, não julgue. Pode ser um autista, pode não ser birra. Nós, mães atípicas, passamos a pesquisar, estudar e entender de assuntos inimagináveis. Mas   precisamos de solidariedade , de atenção e da compreensão dos colegas e das chefias no ambiente de trabalho.  Nós precisamos   ver nossos filhos sendo abraçados , tendo amigos, sendo chamados para aniversários, sendo aceitos nas escolas que escolhermos. Parece tão simples, não é? Mas não acontece naturalmente. E ele...